A eletromobilidade avança no Brasil em ritmo acelerado, e os dados mais recentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram como esse movimento começa a impactar diretamente a demanda por eletricidade.
Segundo o Caderno de Eletromobilidade do Plano Decenal de Expansão de Energia 2025, o consumo associado aos veículos eletrificados deve saltar de 627 GWh para 7,8 TWh em 2035, refletindo a expansão da frota e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à modernização do setor automotivo.
Esse crescimento é sustentado por fatores já visíveis no mercado: a redução da diferença de preço entre veículos elétricos e modelos a combustão, a chegada de novos modelos importados e, sobretudo, a ampliação da infraestrutura de recarga.
Esses elementos ajudam a diminuir a percepção de risco por parte dos consumidores e tornam a eletrificação mais competitiva. O estudo também prevê que, em 2035, cerca de 23% dos licenciamentos de veículos leves serão eletrificados, o que representa 784 mil unidades. A frota desse segmento deve atingir 3,7 milhões de veículos, mas ainda com predominância da tecnologia flex fuel, que seguirá responsável por cerca de 76% do mercado.
No transporte público, o Novo PAC tem desempenhado um papel central na aceleração da troca de frota. Apenas na seleção de 2023, foram destinados R$ 7,3 bilhões para a aquisição de 2.296 ônibus elétricos, além de recursos adicionais para veículos Euro VI e sistemas sobre trilhos. Conforme o PDE, o Brasil deverá contar com 48,5 mil ônibus eletrificados em 2035, sendo 43,5 mil deles totalmente elétricos.
O avanço também ocorre no transporte de carga, mas de forma mais concentrada entre caminhões semileves e leves, com a projeção de que 19% dos licenciamentos dessas categorias serão de modelos BEV em 2035. Ao final do período, a frota de caminhões elétricos e híbridos deve alcançar 43 mil unidades, enquanto caminhões a diesel continuam dominando entre pesados e semipesados.
No cenário global, o ritmo é igualmente expressivo. Em 2024, as vendas de automóveis elétricos ultrapassaram 17 milhões de unidades, cerca de 3,5 milhões a mais do que no ano anterior, representando um crescimento de 25%. Aproximadamente 20% de todos os veículos vendidos no mundo foram BEVs ou PHEVs, reforçando que a transição energética no transporte deixou de ser tendência para se tornar realidade consolidada.
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