Em um shopping center, poucos insumos impactam tanto a operação quanto a energia elétrica. A conta de luz pode representar até 45% das despesas condominiais desse tipo de empreendimento, sendo que cerca de 60% desse valor está associado ao sistema de climatização, essencial para o conforto térmico e a experiência do consumidor.
No Brasil, o setor reúne 658 shopping centers, que somam um faturamento anual superior a R$ 200 bilhões e recebem aproximadamente 471 milhões de visitantes por mês, em 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
Em um ambiente altamente competitivo, encontrar alternativas para reduzir custos operacionais sem comprometer a operação tornou-se uma estratégia central. Não por acaso, cerca de 90% dos shopping centers já adquirem energia no mercado livre, ambiente que permite a negociação de contratos mais aderentes ao perfil de consumo, com maior previsibilidade e gestão de risco.
Neste artigo, mostramos por que revisar a estratégia de gestão de energia é uma decisão cada vez mais relevante para administradores de shopping centers – e como contar com um parceiro especializado pode fazer diferença direta no resultado financeiro e operacional do empreendimento.
Energia como variável crítica da operação
A infraestrutura de um shopping center é, por natureza, energeticamente intensiva, operando em média 12 horas diárias, ao longo de todos os dias da semana. Trata-se de um ambiente que exige disponibilidade contínua de energia para garantir conforto, segurança e funcionamento pleno das operações.
Além da climatização, item central para a experiência do visitante, o consumo de energia é elevado em função da iluminação das áreas comuns, elevadores e escadas rolantes, sistemas de segurança, automação predial e, mais recentemente, da instalação de estações de recarga para veículos elétricos.
Em determinados períodos, esse consumo tende a se intensificar. No verão, as altas temperaturas ampliam significativamente a demanda por climatização. Já em datas comemorativas, como Páscoa, Dia das Mães e Natal, o aumento do fluxo de visitantes eleva o uso energético, pressionando ainda mais a demanda do empreendimento.
Shopping centers: por que a gestão é mais complexa?
Shopping centers não são unidades de consumo energético convencionais. Diferentemente de plantas industriais ou edifícios corporativos, tratam-se de operações multifuncionais, com grande circulação de pessoas e baixíssima tolerância a falhas no fornecimento de energia.
Qualquer interrupção, mesmo de curta duração, pode gerar impactos imediatos na operação – desde a paralisação de escadas rolantes e elevadores até falhas em sistemas de climatização, segurança e meios de pagamento.
Além do desconforto para o público, esses eventos afetam diretamente a experiência do consumidor, a operação dos lojistas e a imagem institucional do empreendimento.
Por isso, o fornecimento de energia em shopping centers precisa atender a três requisitos fundamentais: estabilidade, continuidade e segurança.
- A estabilidade está relacionada à qualidade da energia entregue, evitando oscilações de tensão que possam comprometer equipamentos sensíveis.
- A continuidade exige planejamento para mitigar riscos de interrupções, seja por meio de contratos bem estruturados, seja com redundâncias operacionais e estratégias de contingência.
- Já a segurança envolve conformidade técnica, proteção de sistemas críticos e atendimento às normas regulatórias.
Nesse contexto, a gestão de energia deixa de ser apenas uma função administrativa e passa a integrar a estratégia operacional do shopping. Decisões relacionadas à contratação, ao perfil de suprimento e à gestão de risco impactam diretamente a confiabilidade da operação e a capacidade do empreendimento de manter seus serviços essenciais em funcionamento pleno.
Volatilidade de preços e previsibilidade orçamentária
Nos shopping centers, uma parcela relevante dos custos operacionais é compartilhada com os lojistas por meio das despesas condominiais. Esses custos variam conforme o empreendimento e os contratos de locação, mas seguem uma lógica comum no setor.
Entre esses custos, a energia elétrica se destaca. Por isso, a gestão desse insumo é fundamental para a saúde financeira do empreendimento. O administrador não pode incorrer no risco de variações abruptas de custo, já que esse tipo de oscilação impacta diretamente o orçamento anual do condomínio e pode comprometer a rentabilidade dos lojistas.
No mercado livre de energia, o custo tende a ser mais competitivo e os contratos podem ser estruturados de acordo com o perfil de consumo típico dos shopping centers, marcado por sazonalidade e picos de demanda. Assim, estratégias que combinam contratos de curto e longo prazo são capazes de mitigar os riscos de volatilidade e exposição aos altos preços de energia.
No fim, trata-se de uma decisão estratégica: compreender o perfil de consumo, definir o nível de exposição desejado e atuar com inteligência de mercado para capturar oportunidades de economia sem comprometer a previsibilidade dos custos.
ESG, imagem institucional e pressão por sustentabilidade
Além de insumo essencial para a operação, a energia passou a assumir um papel estratégico na diferenciação e na criação de valor reputacional dos shopping centers.
Por isso, a origem da energia consumida – especialmente quando proveniente de fontes renováveis – reforça compromissos com eficiência e sustentabilidade, fatores cada vez mais relevantes para certificações ambientais, relacionamento com investidores e posicionamento institucional.
Entre as certificações ambientais mais reconhecidas estão:
- LEED, voltado ao desempenho ambiental da construção e da operação;
- AQUA-HQE, adaptado à realidade brasileira com foco em conforto, eficiência e gestão; e
- EDGE, que estabelece metas objetivas de redução de consumo de energia, água e materiais.
Essas certificações podem ser obtidas tanto em projetos novos quanto em empreendimentos já em funcionamento, mediante adequações técnicas e comprovação de desempenho.
Além das certificações de edificação, os shoppings também podem adotar selos voltados à gestão ambiental, como a ISO 14001, que estrutura processos de controle de impactos e melhoria contínua, e o Selo Procel Edificações, ligado ao Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, que atesta o desempenho energético do empreendimento.
Mais do que um diferencial de marketing, essas certificações tendem a influenciar a atratividade para lojistas, fundos imobiliários e instituições financeiras, especialmente em um cenário de maior exigência por eficiência operacional e redução de emissões.
O papel da gestão especializada de energia
Existe uma diferença relevante entre comprar energia e gerir energia. Ambas exigem análise de cenário, leitura regulatória e gestão de riscos, mas atuam em níveis distintos da estratégia empresarial.
A compra de energia no mercado livre é uma decisão tática. Envolve timing, projeção de preços, sazonalidade do consumo e avaliação das condições contratuais. Não se resume a buscar o menor valor, e sim a alinhar orçamento, apetite a risco e horizonte contratual para garantir previsibilidade e proteger o caixa contra volatilidades.
A gestão de energia, por sua vez, é contínua e estratégica. Vai além da assinatura do contrato: inclui monitoramento do consumo, análise de performance, gestão de garantias, representação na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e acompanhamento das constantes mudanças regulatórias.
Por isso, revisar a estratégia de gestão de energia é um passo cada vez mais relevante para a eficiência e a competitividade dos shopping centers.
Na Simple, atuamos como parceira técnica, comercializadora e gestora de energia de mais de 30 shoppings no Brasil. Estruturamos estratégias, acompanhamos indicadores e garantimos disciplina na execução. O objetivo não é apenas reduzir custos no curto prazo, mas construir uma gestão profissional que entregue previsibilidade, segurança contratual e ganhos financeiros sustentáveis ao longo do tempo.
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