O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou no dia 23 de junho de 2025 a Portaria nº 111/2025, que marca o início de um plano ambicioso: modernizar a rede elétrica de baixa tensão em todo o Brasil até 2035, com foco na digitalização dos serviços.
A medida chega em um momento estratégico, com a abertura total do mercado livre de energia se aproximando, o que permitirá que qualquer consumidor escolha de quem comprar sua energia.
Por que digitalizar a rede elétrica?
Com essa digitalização, o governo pretende transformar a forma como a energia elétrica é distribuída e utilizada no país. O objetivo é criar um ambiente mais moderno, inteligente e transparente, no qual os consumidores tenham mais controle sobre seu consumo e mais acesso a novos serviços.
Entre os principais benefícios esperados estão:
- Mais eficiência no uso da energia
- Redes mais preparadas para eventos climáticos extremos
- Avanço na transição para fontes renováveis
- Operação mais inteligente e econômica do sistema elétrico
- Controle de picos de consumo e mais segurança nas redes
- Redução de perdas e acidentes
- Tarifas mais justas para os consumidores
Um dos pilares dessa transformação será a instalação de medidores inteligentes, que vão muito além dos relógios de luz tradicionais. Esses equipamentos trarão novas funcionalidades, como:
- Mecanismos integrados para detecção de perdas não técnicas (como furtos de energia) e funcionalidades que contribuem para a redução da inadimplência por meio de leitura remota e desligamento automático em casos críticos;
- Capacidade de armazenamento de dados por, no mínimo, 100 horas em situações de interrupção no fornecimento, garantindo a integridade dos registros de consumo;
- Sincronização automática de horário e data, assegurando confiabilidade nos registros e na tarifação;
- Memória de massa incorporada, eliminando a necessidade de fechamento de demanda e facilitando o monitoramento contínuo;
- Medição simultânea de energia ativa, reativa e demanda, permitindo análises mais precisas de perfil de carga e gestão energética;
- Disponibilização do histórico de consumo dos últimos 12 meses, em kWh, com acesso facilitado para consumidores e agentes do setor;
- Capacidade de comunicação remota por meio de APIs, viabilizando integração com plataformas digitais, sistemas de gestão e serviços de terceiros;
- Registro automático com data e hora das 15 últimas interrupções no fornecimento e das 15 últimas alterações na programação do medidor, promovendo maior rastreabilidade e controle operacional.
Esses novos medidores vão permitir uma gestão muito mais precisa, tanto para as distribuidoras quanto para os próprios consumidores.
A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) será a responsável por definir as regras para que as distribuidoras elaborem seus planos de digitalização. Além disso, a portaria prevê que uma entidade independente possa verificar se as metas e os padrões de qualidade estão sendo cumpridos, garantindo mais transparência e confiança no processo.