Curtailment e Geração Distribuída: alerta estrutural para o setor elétrico  

Curtailment e Geração Distribuída: alerta estrutural para o setor elétrico  

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Curtailment e Geração Distribuída alerta estrutural para o setor elétrico 
Curtailment e Geração Distribuída alerta estrutural para o setor elétrico 

Em meio à expansão acelerada das fontes renováveis no Brasil, especialmente solar e eólica, o setor elétrico vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que amplia sua capacidade instalada com base em fontes limpas, enfrenta crescentes episódios de corte de energia.  

Esse fenômeno, que deveria ser pontual, tem se tornado recorrente e revela desafios estruturais relacionados ao equilíbrio entre oferta e demanda, à capacidade de escoamento da geração e, sobretudo, à integração da geração distribuída (GD) ao sistema elétrico nacional. 

Diante desse cenário, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) instituiu, em março de 2025, um Grupo de Trabalho coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e com participação de agentes como ANEEL, ONS, CCEE e EPE.  

O objetivo é propor medidas regulatórias, operacionais e de planejamento que mitiguem os impactos do curtailment, sobretudo no Nordeste, onde a oferta renovável supera com frequência a demanda local e a capacidade de transmissão. 

O estudo técnico divulgado em junho de 2025 pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) traz dados e projeções que sustentam o alerta: se nenhuma ação for tomada, os cortes energéticos devem permanecer elevados até pelo menos 2029.  

O ponto central da análise é o papel da geração distribuída, que hoje ultrapassa 40 GW de potência instalada e pode chegar a 58 GW até o final da década. Embora contribua positivamente para a diversificação da matriz, a GD permanece fora do sistema de despacho centralizado, dificultando a previsibilidade e o controle da oferta. 

Em horários de baixa demanda e alta geração renovável (entre 9h e 16h, por exemplo) o excesso de energia gerada pela GD não é absorvido pelo sistema, e o ONS é obrigado a reduzir a produção de usinas centralizadas para manter a estabilidade.  

A consequência direta é a subutilização de ativos despacháveis e um aumento nos custos operacionais, que recaem desproporcionalmente sobre as fontes conectadas ao despacho centralizado. 

As simulações realizadas pelo ONS com base em dados do Plano Decenal de Expansão (PEN), Plano de Operação Energética (PMO) e contratos de uso do sistema de transmissão (CUST) mostram cenários preocupantes.  

No Cenário I, estima-se uma redução média de 6,5% na geração solar e eólica entre 2026 e 2029; no Cenário II, com maior volume de usinas em análise, esse valor sobe para 14,9%.  

Em ambos os casos, mais de 90% dos cortes decorrem de excedente de geração, e não de questões técnicas como confiabilidade ou indisponibilidade externa. 

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