A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou no dia 26 de agosto de 2025 o edital do Leilão nº 1/2025, que promete mudar o perfil do suprimento nos Sistemas Isolados (Sisol) da Amazônia e do Pará. O certame, marcado para 26 de setembro, traz como grande novidade a possibilidade de contratação de projetos híbridos com energia solar, gás natural, biocombustíveis e até armazenamento em baterias.
Por que esse leilão é importante?
Os Sistemas Isolados são localidades que não estão conectadas ao SIN (Sistema Interligado Nacional) e, por isso, dependem exclusivamente de termelétricas movidas a diesel e óleo combustível. Isso significa uma logística cara e complexa: diariamente, centenas de caminhões precisam levar combustível para manter essas usinas em funcionamento.
Com o novo leilão, o governo busca reduzir essa dependência ao estimular soluções mais limpas e eficientes. O edital exige que ao menos 22% da energia contratada seja de fonte renovável – um marco para regiões que hoje são altamente dependentes de combustíveis fósseis.
Detalhes do certame
O volume de energia a ser contratado subiu de 49 MW para 67 MW. O início do fornecimento está previsto para 20 de dezembro de 2027, com exceções:
- Coari (AM): início em 1º de dezembro de 2030;
- Anamã, Caapiranga e Codajás (AM): possibilidade de suprimento imediato, segundo decisão do Ministério de Minas e Energia (MME).
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou 241 projetos cadastrados, que resultaram em 80 soluções de suprimento e somam 1.870 MW de potência ofertada.
Os três lotes do leilão receberam as seguintes propostas:
- Lote 1 – Amazonas: 8,791 MW (19 soluções);
- Lote 2 – Amazonas: 48,253 MW (29 soluções);
- Lote 3 – Pará: 9,946 MW (32 soluções).
Perfil dos projetos inscritos
A diversidade de soluções é um ponto de destaque. Entre os projetos cadastrados, a composição ficou assim:
- 32% de UTEs a gás natural;
- 31% de combinações entre usinas solares fotovoltaicas (UFV) e termelétricas a diesel/biocombustível;
- 28% de UFV com UTEs a gás natural;
- 4% de UTEs a biodiesel;
- 3% de UTEs a biocombustível;
- 2% de UFV com biocombustível.
O que esperar desse movimento?
Esse leilão pode se tornar um divisor de águas para os Sistemas Isolados, trazendo mais segurança energética, redução de custos logísticos e menor impacto ambiental. Além disso, a inclusão de baterias representa um avanço tecnológico importante, garantindo maior estabilidade no fornecimento e melhor aproveitamento da geração solar.
Se o desenho regulatório e a execução dos projetos avançarem como planejado, essa iniciativa pode servir de modelo para outras regiões com desafios de suprimento energético no Brasil.