PDE projeta quase R$ 600 bilhões em investimentos no setor elétrico até 2035 

PDE projeta quase R$ 600 bilhões em investimentos no setor elétrico até 2035 

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energia eólica e energia solar
energia eólica e energia solar

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou ao mercado a minuta do novo Plano Decenal de Energia (PDE), com as diretrizes de expansão do setor no horizonte 2026–2035. O documento ficará em consulta pública até 14 de março de 2026, período em que agentes poderão enviar contribuições para o aprimoramento do planejamento. 

O plano estima investimentos totais da ordem de R$ 2,5 trilhões no setor energético, sendo aproximadamente R$ 596 bilhões destinados ao segmento de energia elétrica, o que corresponde a 17% do montante global previsto. 

Crescimento da carga: média de 3,3% ao ano no SIN 

No cenário de referência, a carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) deve crescer, em média, 3,3% ao ano até 2035, passando de 82.691 MW médios para 114.607 MW médios. 

Segmento residencial 

O consumo residencial avança 3% ao ano, impulsionado principalmente pelo aumento do consumo médio por unidade consumidora, que deve atingir 233 kWh/mês ao final do horizonte. A base de consumidores cresce 0,9% ao ano, alcançando 91 milhões de unidades em 2035. 

Segmento industrial 

A indústria deve registrar crescimento médio anual de 2,8%. A expansão da demanda estará associada a novos vetores estruturais, como: 

  • Data centers 
  • Produção de hidrogênio 
  • Eletromobilidade 

Somadas, essas novas cargas podem atingir 12 TWh em 2035, representando 1,4% do consumo nacional. 

A demanda máxima do SIN poderá alcançar aproximadamente 151 GW em 2035, também com crescimento médio anual de 3,3%. 

A EPE destaca que as mudanças climáticas vêm se consolidando como um dos principais fatores de incerteza nas projeções. Eventos extremos – como ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas – alteram padrões históricos de consumo e impõem novos desafios à operação do sistema. 

Expansão da geração: mais 100 GW no horizonte decenal 

No cenário de referência, a capacidade instalada deve crescer cerca de 100 GW, atingindo 259 GW em 2035. 

Os investimentos previstos são: 

  • R$ 374 bilhões em geração centralizada 
  • R$ 106 bilhões em geração distribuída 

Expansão por fonte 

As fontes renováveis devem adicionar 32 GW no período, distribuídos em: 

  • 13,6 GW de eólica 
  • 7,5 GW de hidráulica 
  • 5,6 GW de solar fotovoltaica centralizada 
  • 5,4 GW de térmicas renováveis (biomassa, cavaco, biogás e resíduos sólidos urbanos) 

Já as fontes não renováveis somam 27,7 GW, sendo: 

  • 18,7 GW de UTEs flexíveis 
  • 7,6 GW de UTEs inflexíveis 
  • 1,4 GW referentes à entrada em operação de Angra 3, prevista para 2033 

Mudança na matriz elétrica 

A participação das fontes também se altera ao longo do período: 

  • Hidrelétricas: de 47% (2025) para 35% (2035) 
  • Solar centralizada e eólica: manutenção relativa de participação 
  • Micro e minigeração distribuída (MMGD): crescimento de 6 p.p., chegando a 22% da capacidade instalada 
  • Térmicas: de 12% para 14% 
  • Armazenamento: passa a representar 2% da capacidade instalada do SIN em 2035 

MMGD: até 9,5 milhões de unidades no cenário de referência 

A micro e minigeração distribuída deve alcançar 9,5 milhões de unidades consumidoras em 2035, totalizando 78,1 GW de capacidade instalada e movimentando R$ 105,7 bilhões em investimentos entre 2026 e 2035. 

No cenário superior, o número pode chegar a: 

  • 12,1 milhões de unidades 
  • 97,8 GW de capacidade instalada 
  • R$ 155,9 bilhões em investimentos 

O dado reforça a consolidação da geração distribuída como vetor da expansão do sistema. 

Transmissão: 29 mil km adicionais de linhas 

No segmento de transmissão, o PDE projeta a adição de 29 mil km de linhas entre 2026 e 2035, elevando a extensão da rede de 200,7 mil km para 229,5 mil km. 

A capacidade de transformação deve crescer 89 mil MVA, passando de 502,5 mil MVA para 591,5 mil MVA. 

Os investimentos estimados somam R$ 116,9 bilhões, sendo: 

  • R$ 78 bilhões (67%) em linhas de transmissão 
  • R$ 38,9 bilhões (33%) em subestações 

Armazenamento ganha espaço no planejamento 

O PDE também consolida o armazenamento de energia como elemento estratégico para o atendimento à demanda líquida máxima. No cenário de referência, a expansão prevista supera 6,6 GW até 2035. 

O avanço da tecnologia está associado principalmente: 

  • À necessidade de gerenciamento de excedentes de geração renovável 
  • À maior penetração de fontes intermitentes 
  • À expectativa de redução relevante nos custos das baterias 

A inclusão estruturada do armazenamento no planejamento decenal sinaliza uma transição do modelo predominantemente hidráulico para um sistema mais diversificado e com maior complexidade operacional. 

Considerações Finais 

O PDE 2035 sinaliza um ciclo relevante de investimentos e uma transição estrutural da matriz elétrica brasileira. Observa-se: 

  • Crescimento consistente da demanda 
  • Diversificação tecnológica da oferta 
  • Maior participação de geração distribuída 
  • Ampliação do papel das térmicas e do armazenamento na garantia da confiabilidade 
  • Expansão significativa da infraestrutura de transmissão 

Embora tenha caráter indicativo, o PDE constitui a principal referência técnica para o planejamento da expansão da geração e da transmissão no Sistema Interligado Nacional (SIN), servindo como base para leilões, decisões empresariais e formulação de políticas públicas. 

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