Leilão de energia de reserva é cancelado

Simple Energy, 16 de dezembro de 2016

O governo cancelou o segundo leilão de energia de reserva de 2016, previsto para a próxima segunda-feira, 19 de dezembro. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, 14, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética, em consequência da revisão das previsões de demanda futura de energia no Brasil pela Empresa de Pesquisa Energética e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. O certame era destinado à contratação de energia de empreendimentos eólicos e solar fotovoltaicos com entrega a partir de 2019.

O secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, explicou que as previsões anteriores consideradas para 2016 e 2017 indicavam um crescimento maior, mas esse crescimento foi ajustado em razão do desempenho da economia, como todos os agentes econômicos estão fazendo. “Nós estamos trabalhando para reverter [esse cenário], e temos sinais de que vai ser revertido, mas, infelizmente, isso tornou ainda mais complexa a questão da sobrecontratação”, afirmou Pedrosa. As projeções, segundo o secretário, são de que as sobras de energia para 2020 serão da ordem de 9 mil MW médios.

Por outro lado, a decisão causou perplexidade nas associações representativas do setor elétrico. De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, o cancelamento causa embaraço ao setor perante agentes internacionais, uma vez que empresas já se preparavam para aportar garantias para o certame, que aconteceria daqui a cinco dias. "A associação aguarda uma manifestação mais profunda do governo sobre como foi tomada essa decisão", afirma.

Pelo lado da energia eólica, que também participaria do certame, o sentimento de surpresa também imperou. Élbia Gannoum, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, considerou que o setor estava estarrecido com a notícia, tomada às vésperas da realização do leilão. A organização vinha sendo tocada ao longo do ano e, segundo ela, havia o entendimento por parte do governo da importância do certame para a cadeia produtiva. “Jamais esperávamos que viesse uma decisão dessas”, relata. Ela critica a justificativa de revisão do ambiente de demanda e econômico apresentada para o cancelamento do leilão. Segundo ela, o LER tem características que independem desses aspectos e que um dos seus objetivos é fomento da cadeia industrial.

Para Sauaia, da ABSolar, o cancelamento do certame também vai contra as próprias diretrizes do governo, que prega a atração de investimentos internacionais. "Recebemos essa notícia como um golpe duro", avisa. Para ele, isso prejudica o desenvolvimento da fonte no Brasil e faz com que o governo perca credibilidade, já que a promessa era que haveria pelo menos um leilão solar esse ano, o que não se realizou. "Isso causa insegurança e arrisca afastar investidores pela incerteza que isso gera", comenta.

Apesar disso, Sauaia lembra que o setor fotovoltaico está ajudando a recuperar a economia, com o anúncio de novas fábricas e geração de empregos. As associações pretendem conversar com o governo e os ministérios envolvidos de modo a discutir o planejamento e a expansão no ano que vem.

 

Fonte: CanalEnergiaSite externo.

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