Um estudo recente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) joga luz sobre um tema que tende a ganhar cada vez mais espaço no debate do setor elétrico: como planejar o descomissionamento das usinas termelétricas a carvão no Brasil sem ignorar os impactos sociais, econômicos e regionais desse processo.
O trabalho reúne experiências internacionais de países que já enfrentaram o fechamento de minas e usinas a carvão e analisa quais caminhos foram adotados para substituir essa fonte na matriz energética. O foco está, sobretudo, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, regiões historicamente ligadas à cadeia do carvão mineral.
Apesar das transformações ocorridas nas últimas décadas, o carvão ainda ocupa uma posição relevante no mundo. Hoje, responde por cerca de 26% da oferta global de energia primária e segue como a segunda fonte mais utilizada, atrás apenas do petróleo. Ao mesmo tempo, é também a fonte mais intensiva em emissões: em média, são cerca de 400 kg de CO₂ por MWh gerado.
Esse paradoxo ajuda a explicar por que a transição energética é tão desafiadora. Mesmo com políticas públicas e metas climáticas mais ambiciosas, a produção global de carvão bateu recorde em 2024, com aproximadamente 9 bilhões de toneladas extraídas, puxadas principalmente por China, Índia e Indonésia. O setor elétrico continua sendo o maior consumidor, responsável por cerca de dois terços da demanda mundial.
No Brasil, a participação do carvão é bem menor, mas não irrelevante. A fonte representa cerca de 4,5% da oferta total de energia primária e algo próximo de 1,3% da oferta interna de eletricidade. Ainda assim, seu peso ambiental é expressivo: em 2024, o carvão respondeu por cerca de 20% das emissões do setor energético e por aproximadamente 30% das emissões associadas às usinas termelétricas.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que, em junho de 2025, o país contava com 13 usinas termelétricas a carvão em operação, somando pouco mais de 3 GW de potência instalada. Parte dessas plantas utiliza carvão nacional, concentrado no Sul, enquanto outras dependem de carvão importado, espalhadas por estados como Ceará, Maranhão, Pará e Minas Gerais.
O estudo da EPE destaca que o desafio vai além da substituição tecnológica. O fechamento dessas usinas e minas afeta empregos, economias locais e cadeias produtivas inteiras. Hoje, estima-se que cerca de 3 milhões de pessoas trabalhem em minas de carvão no mundo. Por isso, experiências internacionais mostram a importância de políticas de transição justa, com planejamento de longo prazo, diversificação econômica regional e requalificação profissional.
Para quem acompanha o debate sobre transição energética, segurança do suprimento e impactos socioeconômicos no setor elétrico, o material traz dados, comparações internacionais e reflexões estratégicas. Vale a leitura do estudo completo para entender os caminhos possíveis – e os riscos de não planejar essa transição desde já.
Baixe o estudo completo: Experiências Internacionais de Transição Energética Justa no Setor do Carvão Mineral