Cinco indicadores que o gestor de energia deve acompanhar todos os meses 

Cinco indicadores que o gestor de energia deve acompanhar todos os meses 

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Cinco indicadores que o gestor de energia deve acompanhar todos os meses
Cinco indicadores que o gestor de energia deve acompanhar todos os meses

A gestão de energia não termina depois da assinatura do contrato. O consumo da empresa pode aumentar ou diminuir, os preços oscilam e a quantidade contratada pode deixar de acompanhar a operação. Quando isso acontece, aparecem as sobras, os déficits e a exposição ao Mercado de Curto Prazo. 

Esses movimentos afetam o orçamento e o fluxo de caixa. Por isso, o gestor de energia precisa acompanhar alguns indicadores todos os meses. Os principais são o consumo, a posição contratual e a exposição, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), as garantias financeiras e o custo médio da energia. 

O ponto mais importante é que essas informações não devem ser analisadas separadamente. Um PLD elevado, por exemplo, terá pouco efeito sobre um consumidor bem contratado. O mesmo preço, porém, pode gerar uma despesa relevante para uma empresa que consumiu mais energia do que comprou. 

Neste artigo, vamos explicar o que cada indicador mostra e como utilizá-lo na gestão dos contratos. 

Indicador O que mostra Principal ponto de atenção 
Consumo Quanto e quando a empresa utiliza energia Diferença entre a previsão e a carga realizada 
Posição contratual e exposição Relação entre energia contratada e necessidade da empresa Déficit ou sobra de energia 
PLD Preço usado para liquidar as diferenças no MCP Custo do déficit ou valor recebido pelas sobras 
Garantias financeiras Recursos exigidos para cobrir posições devedoras Pressão sobre o caixa 
Custo médio Quanto a empresa efetivamente paga pela energia Desvio em relação ao orçamento 

1. Consumo de energia 

O consumo é o ponto de partida. Antes de decidir quanto contratar, a empresa precisa saber quanta energia utiliza, em quais períodos e como esse comportamento pode mudar nos meses seguintes. 

Parece uma tarefa simples, mas não basta olhar apenas o consumo médio mensal. Duas empresas podem consumir o mesmo volume durante o mês e apresentar comportamentos completamente diferentes. Uma pode concentrar a produção durante o dia, enquanto outra opera 24 horas. Há também negócios com forte sazonalidade ou picos de consumo em determinados dias. 

Por isso, é importante acompanhar o consumo realizado, a projeção para os próximos meses e a curva de carga da empresa. Essa análise precisa considerar informações da operação, pois a abertura de uma nova linha industrial pode elevar o consumo, enquanto uma manutenção ou férias coletivas podem provocar o movimento contrário. Mudanças nos turnos de trabalho e variações de temperatura também alteram a carga. 

Se essas informações não chegarem à área responsável pela compra de energia, a empresa poderá contratar acima ou abaixo da necessidade. 

Uma forma de acompanhar esse movimento é calcular o desvio entre o consumo projetado e o realizado. 

Imagine que uma indústria tenha projetado um consumo de 1.000 MWh, mas utilize 1.100 MWh. Nesse caso, o desvio será de 10%. 

Isso não significa automaticamente que a empresa ficará exposta ao Mercado de Curto Prazo. Para descobrir a posição, é necessário comparar o consumo com os contratos vigentes. 

2. Posição contratual e exposição 

A posição contratual mostra se a quantidade de energia comprada é suficiente para atender à necessidade da empresa. Quando o consumidor possui menos energia contratada do que precisa, está subcontratado. Quando os contratos superam a necessidade, está sobrecontratado. 

Uma conta simples ajuda nessa análise. Uma empresa com consumo projetado de 1.000 MWh e contratos equivalentes a 950 MWh possui cobertura de 95%, o que indica uma necessidade adicional de 50 MWh. Se tiver contratado 1.050 MWh, a cobertura será de 105%. Nesse caso, existe uma sobra projetada de 50 MWh. 

O ideal é acompanhar duas posições. A primeira é a projetada, que compara os contratos com a previsão de consumo e permite antecipar uma possível sobra ou déficit. A segunda é a posição realizada, que utiliza o consumo efetivamente medido e mostra o resultado que deverá aparecer na contabilização. 

O que é exposição ao Mercado de Curto Prazo? 

A exposição ocorre quando existe uma diferença entre os recursos e os requisitos de energia do agente. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) contabiliza as diferenças entre a energia contratada e a energia medida, que são liquidadas no Mercado de Curto Prazo (MCP). 

Se o consumidor utilizar mais energia do que contratou, apresentará uma posição deficitária. Se consumir menos, terá uma sobra. Nos dois casos, existe exposição, mas o efeito financeiro será diferente. O consumidor com déficit precisará pagar pela energia não coberta, enquanto aquele com sobra receberá pela quantidade liquidada. 

Outro ponto importante é que a análise não deve ficar limitada à média mensal. Um contrato pode parecer suficiente quando os volumes do mês são comparados, mas ainda existir exposição em determinados horários. Isso acontece porque o consumo e o preço da energia variam ao longo do dia. 

Para os consumidores representados por comercializadoras varejistas, o tratamento das sobras e dos déficits dependerá do contrato de representação. Mesmo que o consumidor não participe diretamente da liquidação na CCEE, o resultado pode ser repassado conforme as condições negociadas com a varejista. 

3. Preço de Liquidação das Diferenças 

O PLD é utilizado para valorar as diferenças apuradas no Mercado de Curto Prazo. Ele não corresponde ao preço de todos os contratos negociados no mercado livre, nem existe apenas um valor válido para todo o mês. 

A CCEE calcula o PLD diariamente para cada hora do dia seguinte. O indicador também pode variar entre os quatro submercados do Sistema Interligado Nacional (SIN): Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte. 

Para o gestor, acompanhar apenas a média mensal pode esconder riscos. É importante observar os valores mínimos e máximos, os preços nos horários de maior consumo e as projeções para os meses seguintes. Também vale comparar o PLD com o preço dos contratos disponíveis no mercado. O efeito, porém, dependerá da posição da empresa. 

Imagine uma empresa com déficit de 100 MWh. Se essa exposição for valorada a um PLD médio de R$ 100/MWh, o resultado simplificado será de R$ 10 mil. Caso o PLD suba para R$ 500/MWh, a despesa chegará a R$ 50 mil. 

Na contabilização real, a apuração considera as posições horárias, o submercado e os demais componentes aplicáveis. Ainda assim, o exemplo mostra como uma mesma exposição pode produzir resultados muito diferentes. 

Também existe o risco contrário. Se a empresa comprou energia por R$ 250/MWh e liquidou uma sobra em um período de PLD baixo, o valor recebido pode não compensar o preço pago no contrato. Por isso, um PLD baixo não é necessariamente bom para todos. Tudo depende da posição do agente. 

4. Garantias financeiras 

As garantias financeiras existem para proteger a liquidez do Mercado de Curto Prazo. Como a liquidação é multilateral, a inadimplência de um agente afeta os demais participantes. Por esse motivo, os agentes com posição devedora podem precisar depositar garantias financeiras. 

A CCEE informa mensalmente os valores que precisam ser aportados, considerando as operações de compra e venda realizadas no período. Para o gestor financeiro, esse indicador merece atenção porque pode pressionar o capital de giro. 

Uma exposição maior do que a prevista não gera apenas um custo adicional com energia. Ela também pode aumentar a quantidade de recursos que a empresa precisa manter disponível para cumprir suas obrigações. Por isso, o acompanhamento deve considerar o valor exigido, o montante já aportado, o prazo para o depósito e a variação em relação aos meses anteriores. 

Também é importante identificar a origem do aumento. A garantia cresceu porque o consumo subiu? Houve uma mudança no PLD? A posição contratual piorou? Algum contrato deixou de oferecer a cobertura esperada? 

Responder a essas perguntas ajuda a evitar que a chamada de garantia apareça como uma surpresa para a área financeira. 

No caso dos consumidores varejistas, a obrigação operacional é administrada pela comercializadora representante. Ainda assim, a varejista pode exigir garantias do cliente, estabelecer limites de crédito ou incorporar esse risco ao preço do contrato. O consumidor precisa conhecer essas condições antes de contratar. 

A falta de aporte das garantias exigidas pela CCEE pode resultar em ajuste dos contratos registrados, multa e, em casos reincidentes, abertura de procedimento de desligamento. 

5. Custo médio da energia 

O custo médio mostra quanto a empresa efetivamente desembolsa por unidade de energia consumida. Ele não deve ser confundido com o preço que aparece no contrato. 

Uma empresa pode comprar energia por R$ 200/MWh, mas terminar o mês com um custo maior por causa de exposições ao MCP, encargos, custos de representação, perdas, tarifas de uso da rede e outros componentes. 

Por isso, é importante separar o preço médio contratado do custo médio realizado. 

O preço médio contratado considera os contratos de compra de energia. Quando a empresa possui contratos com valores diferentes, a média deve ser ponderada pelos volumes. 

Imagine a seguinte situação: 

  • 600 MWh contratados por R$ 200/MWh; 
  • 400 MWh contratados por R$ 250/MWh. 

O preço médio contratado será de R$ 220/MWh. Uma média simples entre os dois preços resultaria em R$ 225/MWh, mas estaria incorreta porque os volumes são diferentes. 

Já o custo médio realizado considera o resultado final da operação. Se a empresa gastou R$ 300 mil para atender a um consumo de 1.000 MWh, o custo médio foi de R$ 300/MWh. 

O custo médio deve ser confrontado com o orçamento, os meses anteriores e as metas da empresa. Também vale entender o que provocou a mudança. O custo subiu por causa do preço dos contratos? Houve exposição ao MCP? O consumo caiu e deixou uma sobra? Os encargos aumentaram? 

Essa decomposição ajuda o gestor a identificar onde está o problema e quais medidas podem ser tomadas. 

Como esses indicadores se relacionam? 

Os cinco indicadores fazem parte da mesma sequência. O consumo mostra a necessidade de energia, enquanto a posição contratual indica quanto dessa necessidade está coberto. A exposição revela o tamanho do desvio, o PLD ajuda a determinar o impacto financeiro, as garantias mostram quanto recurso pode ser exigido e o custo médio reúne o resultado da estratégia. 

Imagine que o consumo de uma indústria aumente 8%, mas os contratos permaneçam iguais. A empresa poderá ficar subcontratada. Se o PLD estiver elevado, o déficit aumentará o custo da energia. A posição devedora também poderá exigir mais garantias. No fechamento do mês, esses efeitos aparecerão no custo médio. 

Tudo começou com uma mudança no consumo. É por isso que o gestor não deve olhar apenas para o preço da energia. Acompanhar o contrato sem conhecer a operação também não é suficiente. 

Nenhum desses indicadores deve ser analisado sozinho. Um PLD elevado pode ter pouco efeito sobre uma empresa bem contratada, mas gerar uma despesa relevante para um consumidor exposto. Da mesma forma, uma cobertura próxima de 100% pode esconder desequilíbrios em determinados horários ou um custo acima do orçamento. 

O acompanhamento mensal permite identificar esses movimentos antes que eles se transformem em perdas maiores. Mais do que explicar o que aconteceu, os indicadores ajudam o gestor a ajustar os contratos, preparar o caixa e decidir os próximos passos da empresa no mercado de energia. 

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