ANEEL abre segunda fase da consulta pública sobre medidores inteligentes 

ANEEL abre segunda fase da consulta pública sobre medidores inteligentes 

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medidor de energia inteligente
medidor de energia inteligente

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu a segunda fase da Consulta Pública nº 1/2026, destinada a aperfeiçoar os requisitos técnicos mínimos dos sistemas de medição inteligente que deverão ser adotados pelas distribuidoras brasileiras.  

A proposta ficará aberta para contribuições da sociedade de 1º de julho a 14 de agosto, em intercâmbio documental, diante da necessidade de regulamentar rapidamente as regras que orientarão a implantação obrigatória desses equipamentos nos próximos dois anos.  

A iniciativa ocorre após a publicação da Portaria MME nº 126/2026, que determinou que as distribuidoras instalem medidores inteligentes em 2% de suas unidades consumidoras por ano, durante dois anos, a partir de março de 2026.  

A norma também definiu funcionalidades mínimas para esses sistemas, exigiu estudos de custo-benefício até fevereiro de 2028 e estabeleceu a apresentação anual de planos de investimentos em digitalização das redes.  

Segundo a área técnica da ANEEL, a nova regulamentação do Ministério de Minas e Energia alterou significativamente o escopo original da consulta pública.  

Por isso, a Agência decidiu antecipar a regulamentação das funcionalidades mínimas dos sistemas de medição inteligente e deixar para uma etapa posterior as discussões sobre análise de custo-benefício e planos de implantação das distribuidoras.  

A primeira etapa da Consulta Pública nº 1/2026 permaneceu aberta entre 29 de janeiro e 16 de março de 2026 e recebeu contribuições de 53 participantes. 

As distribuidoras representaram o maior grupo de respondentes (21%), seguidas pelos conselhos de consumidores (17%), associações do setor elétrico (15%), consumidores (13%), empresas de tecnologia (13%) e comercializadoras (11%).  

Dos participantes, 36 agentes – aproximadamente 68% – enviaram sugestões especificamente sobre as funcionalidades mínimas dos sistemas de medição inteligente, demonstrando elevado interesse do mercado no tema.  

Além das manifestações formais, a ANEEL realizou reuniões técnicas com empresas como Cemig, Enel SP, CPFL Energia, Grupo Equatorial e Abinee para discutir experiências práticas de implantação de medidores inteligentes no país.  

Portaria do MME redefiniu a discussão 

A publicação da Portaria nº 126/2026 levou a Agência a reorganizar a consulta pública. 

Enquanto a proposta original da ANEEL tratava simultaneamente dos requisitos técnicos, dos estudos de custo-benefício e do plano de implantação, a regulamentação do MME tornou obrigatória a instalação dos medidores antes mesmo da conclusão dessas discussões. 

Diante desse novo cenário, a Agência passou a concentrar a segunda fase exclusivamente na definição das funcionalidades mínimas dos sistemas de medição inteligente, deixando a regulamentação das análises de custo-benefício para um momento posterior, já que as distribuidoras somente deverão apresentar esses estudos até fevereiro de 2028.  

A comparação realizada pela própria Agência mostra que a proposta submetida à segunda fase da consulta pública vai além das exigências estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia. 

Enquanto a Portaria estabelece apenas um conjunto básico de funcionalidades, a minuta da ANEEL acrescenta requisitos considerados importantes para a modernização do setor elétrico, entre eles: 

  • medição bidirecional de energia ativa e reativa;  
  • memória de massa com armazenamento mínimo de 37 dias;  
  • integralização programável entre cinco e sessenta minutos;  
  • sincronismo de tempo;  
  • registro de interrupções;  
  • medição de tensão;  
  • cálculo dos indicadores DRP e DRC;  
  • requisitos adicionais para garantir integridade dos dados utilizados no faturamento e na qualidade da energia.  

Segundo a nota técnica, todos os requisitos previstos pela Portaria nº 126/2026 foram preservados, mas complementados com funcionalidades consideradas necessárias para atender futuras evoluções tarifárias, a abertura do mercado livre e a digitalização das redes de distribuição.  

Inteligência deixa de estar apenas no medidor 

Uma das principais mudanças conceituais propostas pela ANEEL é tratar o sistema de medição inteligente como um ecossistema completo, e não apenas como um equipamento instalado na unidade consumidora. 

Pela proposta, o sistema passa a ser composto por quatro elementos: 

  • medidor;  
  • sistema de comunicação;  
  • sistema de gestão de dados;  
  • interface de relacionamento com o consumidor.  

Essa abordagem permite que parte das funcionalidades seja executada pelos sistemas da distribuidora, reduzindo custos, facilitando atualizações tecnológicas e evitando a necessidade de substituir equipamentos sempre que novas funcionalidades forem incorporadas.  

A proposta normativa altera tanto o PRODIST quanto a Resolução Normativa nº 1.000/2021. 

Entre as principais mudanças estão: 

  • criação da definição regulatória de sistema de medição inteligente para consumidores do Grupo B;  
  • inclusão de um capítulo específico com todos os requisitos mínimos desses sistemas;  
  • atualização de diversos dispositivos do Módulo 5 do PRODIST para harmonizar a terminologia utilizada;  
  • inclusão da definição também na REN nº 1.000/2021.  

Consumidor passa a ter acesso aos dados em até 24 horas 

Outra inovação relevante diz respeito ao acesso às informações de consumo. 

A proposta estabelece que as distribuidoras deverão disponibilizar ao consumidor, por meio de plataforma digital ou interface equivalente, os dados utilizados para faturamento e informações sobre qualidade da energia em até 24 horas após sua coleta e processamento. 

A Agência abandonou a ideia inicial de exigir a exibição dessas informações diretamente no visor do medidor, entendendo que aplicativos e plataformas digitais oferecem melhor experiência ao consumidor.  

A minuta também incorpora dispositivos específicos sobre segurança cibernética e interoperabilidade. 

Em vez de definir tecnologias específicas de comunicação, a proposta determina que os sistemas sejam dimensionados para suportar adequadamente todas as funcionalidades exigidas, preservando flexibilidade tecnológica e permitindo evolução futura das soluções adotadas pelas distribuidoras.  

Segunda fase ainda discutirá pontos em aberto 

Embora a nota técnica apresente uma proposta consolidada, alguns temas permanecem abertos para debate durante a segunda fase da consulta pública. 

Entre eles estão: 

  • aplicação do pré-pagamento utilizando medidores inteligentes;  
  • necessidade de funcionalidades adicionais para viabilizar esse modelo;  
  • experiência internacional com sistemas de pré-pagamento;  
  • eventual inclusão de novos requisitos mínimos relacionados a essa modalidade de faturamento.  

Na avaliação da área técnica da ANEEL, a regulamentação precisa ser concluída com rapidez para oferecer segurança regulatória às distribuidoras e aos fabricantes de medidores, que já iniciaram o processo de implantação previsto pela Portaria nº 126/2026.  

Por esse motivo, a Agência recomenda que a segunda fase da consulta pública tenha duração de apenas 30 dias antes da elaboração da versão final da norma. 

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